Vencendo os corações assim como as batalhas

ROBERT DENNISON WRIGHT

Da edição de fevereiro de 1984 dO Arauto da Ciência Cristã

Você já observou quão facilmente uma opinião humana se polariza? Para quase todos os assuntos haverá, no mínimo, dois extremos, e sérios defensores comprometidos com cada uma dessas opiniões, conflitantes ou diametralmente opostas. Quer a questão seja pequena quer grande, local ou mundial, os defensores de cada lado parecem convencidos de que estão corretos e de que devem prevalecer. Quando um lado obtém a vitória, às vezes persiste ainda por muito tempo um resíduo de amargura, especialmente no coração dos perdedores.

É muito importante vencer os corações assim como as batalhas, ao defender alguma posição, de modo que, após o problema resolvido, todas as partes ganhem fortalecido apreço pelas posições opostas e os indivíduos sintam genuína boa vontade uns para com os outros.

A Ciência Cristã ensina que se ajudará a trazer conclusão harmoniosa a qualquer confronto ao ganhar-se uma compreensão clara dos fatos espirituais subjacentes à questão e ao abordar-se a disputa no espírito da caridade cristã. Por meio da clara visão espiritual, que olha através das nuvens de opiniões humanas, demonstramos a inteligência divina. Também, preferimos expressar a bondosa paciência que recusa satisfazer-se num desagradável argumento pessoal. O antagonismo deve, finalmente, dissipar-se, quando se encontra com a benevolência, a humildade, a boa vontade.

Estas qualidades, sendo derivadas de Deus, não são meros meios humanos de desarmar os oponentes. Representam nossa natureza divina e verdadeira à imagem de Deus. Portanto, à medida que nos rendemos a elas, vemos substituído o limitado poder de persuasão humano pelo irresistível impulso e o discreto controle do Amor divino.

Ao fazer um estudo consciencioso das verdades sobre Deus e o homem que corrigem crenças relativas a um confronto em particular, em vez de insistir inflexivelmente em alguma opinião própria, muitas vezes descobrimos que nosso ponto de vista se modifica. De modo surpreendente, não estávamos absolutamente corretos, desde o início. Isso me aconteceu muitas vezes.

Na universidade onde lecionei, liguei-me com vários estudantes e outro professor em uma proposta para eliminar uma grande letra que havia sido recortada na vegetação que crescia na montanha, atrás da universidade. Víamos na letra o símbolo de como o povo pratica a violação da terra — semelhante a iniciais entalhadas em uma árvore — e queríamos eliminar a letra, replantando a vegetação naquele lugar.

Acontece que essa letra, de 150 metros de altura, tinha se tornado num símbolo, consagrado por gerações de altura, tinha se tornado num símbolo, consagrado por gerações de alunos e também pela população da cidade. Logo nos encontramos todos envolvidos numa controvérsia acerca de nosso plano. Era forte a tentação de eu me sentir indignado pela estupidez daqueles que desejavam preservar esse espalhafatoso símbolo de como não proteger a terra! Mas, qual era a verdade espiritual que estava por trás dessa questão?

O estudo da Bíblia, e dos escritos da Sra. Eddy, revelou que o homem, como imagem do Espírito, reflete o amor de Deus por Seu universo espiritual. E vi que essa verdade, percebida, curaria a situação. Assim, eu a ponderei e nela me apoiei. Jeremias lamentou: “Toda a terra está devastada, porque ninguém há que tome isso a peito.” 1 A Sra. Eddy, com certeza, sentia um bondoso apreço pela beleza do mundo natural que sugere o puro universo espiritual de Deus, que ainda nos será revelado. “ ‘Eu amo tua promessa …’ ”2escreveu, certa vez.

Logo reconheci que em ambos os lados da questão havia pessoas sérias que se aliavam honesta e profundamente com aquilo que a letra representava para elas. Essas pessoas também desejavam cuidar apropriadamente da terra. As tensões aliviaram-se e pusemos em prática um acordo, pelo qual concordamos em plantar a letra com folhagem contrastante e que a mantivesse visível.

O que viera transformar um desagradável conflito em entendimento amistoso? Em primeiro lugar, embora nenhum lado tivesse abandonado suas convicções, cada um teve um vislumbre da posição do outro. Através da oração, eu fora capaz de me recusar a responder com a mesma moeda às desagradáveis acusações iniciais. O que aos outros parecia ser minha “casca grossa” e senso de humor era, de fato, a evidência da expressão de Deus, de Suas qualidades espirituais, através de Sua descendência. Ao reconhecer eu a firme ação do Amor divino no homem, a idéia do Amor, e viver essa verdade da melhor forma possível, o conflito cedeu perante a presença harmonizadora do Amor.

Mas, você dirá, o que fazer se sei que estou certo? Deveria desistir? Precisamos deixar de ser tímidos em permanecer firmes, depois de haver devotadamente compreendido as verdades espirituais relacionadas a uma situação, verdades que nos capacitaram a eliminar opiniões obstinadas e ser guiados pela sabedoria divina. Não temos de perder batalhas a fim de ganhar corações.

Pôr de lado opiniões pessoais, entretanto, pode não ser fácil. Talvez necessitemos perscrutar a fundo a natureza espiritual do homem e reivindicá-la a fim de sentir a humildade que se despe do eu e diz, como Cristo Jesus: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”. 3

A violência que atua em nome de causas nacionais necessita muito do modo de encarar que vence “os corações assim como as batalhas”. Em tais confrontações a polarização não somente ocorre prontamente mas, muitas vezes, toma formas extremas. Quer você se encontre entre um grupo polarizado quer não, estará envolvido, porque aquele é o seu mundo. Há solução curativa em voltar-se, francamente, para os fatos específicos contrários — estudando-os, aceitando-os, aplicando-os, devotadamente, com irredutível e bondosa persistência, como verdades com respeito a todos os envolvidos.

Se a discórdia envolve religião, entre as verdades subjacentes que se podem perceber está a da universalidade de um bondoso Pai-Mãe Deus, a Mente única, cuja descendência não pode ficar separada. Se o conflito tem a ver com poder político, uma verdade vital é que a autoridade real reside somente com Deus, o Princípio de toda a criação. Se o desacordo se refere a uma questão de liberdade, uma verdade é que a liberdade espiritual pertence eternamente à idéia de Deus, por autoridade de Deus, o Espírito.

Uma verdade que ajuda a curar todos os conflitos é que Deus abençoa tudo o que cria com Suas qualidades de amor e bondade. Isso é verdadeiro sobre o ser real daqueles que estão em qualquer dos lados de uma questão — embora se exija grande clareza de visão para discerni-lo.

Não obstante, por melhores que sejam nossas intenções, se não devotarmos mais do que um pensamento fugaz às verdades curativas pertinentes, contribuiremos pouco para resolver os problemas do mundo. Uma cruciante necessidade nacional que se evidencia em luta, bem como uma cruciante necessidade pessoal, ambas exigem oração persistente e diligente até que sejam ajustadas. Se isso soar como uma ordem categórica perene, assim seja.Respondamos e, então, esperemos pelas bênçãos que devem se seguir.

Quando, através de estudo devotado, expandimos nossa compreensão das verdades curativas concernentes a tais conflitos, e reconhecemos que é a atividade da Mente divina que está revelando essas verdades, contribuímos para a redução de tensões e desempenhamos nossa parte na cura das divergências. Em trocas de opinião com outras pessoas e análises de uma situação em particular iremos, inevitavelmente, a um plano mais elevado. Conseqüentemente, nós e o nosso mundo sentiremos os efeitos, na medida em que procurarmos vencer os corações assim como as batalhas.

Vencer é tudo, dizem alguns. Outros insistem que é como você joga o que conta. Talvez possamos utilizar-nos de ambas as formas: vencer as batalhas e os corações, ao levar a inevitáveis confrontações, quer grandes quer pequenas, a iluminação e o amor divinos que brilham mediante a oração humilde.

1 Jeremias 12:11.  2 Miscellaneous Writings, p.87.  3 Lucas 22:42.

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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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