Criar os filhos: um enfoque espiritual

[Original em espanhol]

OLGA PACCI

Da edição de maio de 1984 dO Arauto da Ciência Cristã

A Bíblia nos conta que “disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” 1 . E, ao explicar a natureza do homem, a Sra. Eddy escreve no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde: “O homem é idéia, a imagem, do Amor; não é físico. Ele é a idéia composta que expressa Deus e inclui todas as idéias corretas; é o termo genérico para tudo o que reflete a imagem e a semelhança de Deus; é a identidade consciente do ser, tal como ela é revelada na Ciência, na qual o homem é o reflexo de Deus, ou a Mente, e portanto é eterno; é aquilo que não tem mente separada de Deus; aquilo que não tem uma só qualidade que não derive da Divindade; aquilo que não possui vida, inteligência, nem poder criador próprios, mas reflete espiritualmente tudo o que pertence a seu Criador.” 2

Os cinco sentidos, ou mente mortal, porém, pretendem apresentar o homem como um criador, sem oferecer o menor indício das grandiosas realidades do ser. Como esses sentidos estão baseados no sonho adâmico de que a vida é material, sugerem que o homem é material, governado por uma mente localizada no cérebro.

Essas crenças falsas pretendem governar, na ocasião em que um casal espera um filho. Por exemplo, talvez se creia ser necessário haver observação contínua, medo do parto e sofrimento para dar à luz.

Depois, espera-se que a criança seja inteligente como os pais. A criança cresce e, de acordo com o modelo mortal, também crescem as preocupações dos pais. Estes tratam de escolher seus amigos e seus estudos, resolver todo problema que se possa apresentar à criança, aconselhála o tempo todo, muitas vezes na forma que parece mais conveniente aos pais. Muitas vezes, querem eles influir até na escolha de um esposo ou esposa. E em alguns casos, com os pais sempre à sua volta, o filho quiçá sinta-se controlado como um robô. Em resultado, com muita freqüência torna-se rebelde, ou talvez tímido e incompetente. E esse círculo vicioso poderia continuar quando o filho, por sua vez, se tornasse pai.

Ora, na medida em que compreendermos a verdadeira paternidade — compreendermos a única Mente, Deus, o criador supremo — a tendência de vermos a nossos filhos como seres materiais será menor, e estaremos mais dispostos a vê-los como a expressão de Deus, puros e perfeitos. Se isso parece difícil devido ao que os sentidos sugerem que ouçamos e vejamos, procuremos ver pelo menos uma só qualidade espiritual ou moral neles, por exemplo, humildade ou honestidade. Ao fazê-lo, estaremos discernindo, ainda que tenuamente, algo do Filho de Deus. Reconhecendo uma qualidade dessa verdadeira filiação, passaremos a ver outras, pois a presença de uma implica na presença de todas.

Uma criança deveria estar formada pela inocência, pureza, ternura, bondade — as qualidades de Deus — e quando admitimos estas qualidades em nossa consciência, tanto nós como os nossos filhos iremos usufruir de suas bênçãos. Compreender que a inteligência, a integridade, a saúde, a harmonia, a compaixão são atributos do bem, Deus, dá-nos tranqüilidade, conforto, confiança e ajuda-nos a confiar inteiramente no Amor divino. A primeira parte da definição para “filhos” no Glossário de Ciência e Saúde diz, deles: “Os pensamentos e representantes espirituais da Vida, da Verdade e do Amor.” 3

Se os vemos como seres materiais, os filhos são rebentos dos sentidos materiais e freqüentemente incluem os resultados das crenças projetadas por esses sentidos: rancor, ingratidão, desobediência, rebeldia, etc. Ora, os verdadeiros filhos são os pensamentos de Deus, idéias espirituais, e essas idéias nascem da verdadeira Mãe, a Mente infinita, na qual não há dor, mas sim alegria, ventura e felicidade em toda ação.

Nossos próprios filhos talvez pareçam estar em algum ponto entre esses dois estados. Ou seja, parecem estar afligidos até certo grau por falhas mortais, ao mesmo tempo em que progressivamente são mais capazes de expressar sua verdadeira natureza espiritual. Como podemos estimular a expressão de sua verdadeira individualidade?

Ao explicar a obstetrícia que se ensina na Ciência Cristã, Ciência e Saúde declara: “Para assistir convenientemente o nascimento da nova criatura, ou a idéia divina, é preciso separar o pensamento mortal de suas concepções materiais, de tal maneira que o nascimento se faça com naturalidade e segurança.” Algumas linhas mais adiante, o livro-texto declara: “Quando ocorre esse novo nascimento, a criança que nasce na Ciência Cristã, nasce do Espírito, nasce de Deus, e não pode mais causar sofrimento à mãe.” 4

Isso foi comprovado pela mãe de dois filhos. Antes de começar a estudar Ciência Cristã, cada parto fora acompanhado de grande sofrimento e de atenção médica constante nos três dias que o precediam. Foi-lhe dito que ter um terceiro filho seria arriscar a própria vida. Quando, porém, conheceu a Ciência Cristã, perdeu o medo de ter mais um filho. Apoiando-se no trabalho metafísico de uma praticista da Ciência Cristã e reconhecendo que o Amor divino estava presente, deu à luz de forma natural, sem sofrimento e em menos de dez minutos, para assombro dos médicos.

Se tudo o que existe no universo é criado pela única Mente, seria possível que Deus deixasse para o homem a criação do homem? Se pensamos que os sentidos materiais apresentam um bebê de tubo de ensaio hoje, amanhã apresentá-lo-ão de outra forma, até que despertemos do sonho adâmico da vida criada na matéria e reconheçamos que o único Pai-Mãe Deus é Tudo-em-tudo. Pelo estudo e a prática da Ciência Cristã encontraremos evidência cada vez maior do verdadeiro Filho — o Cristo — em nossa consciência. Este Filho nunca nasce e nunca morre; é eterno. Já não nos sentiremos tão responsáveis ou temerosos, mas agradeceremos pela tranqüilidade e segurança de saber que o Amor divino cuida de sua criação.

Nossa atitude com relação a nossos filhos tem muita importância, tanto para o bem-estar deles como para o nosso. Desalojando progressivamente a vontade humana, para dar entrada em nossa consciência aos pensamentos de Deus e expressando justiça, controle, compreensão e amor, teremos uma família mais feliz, mais agradecida.

Certa mãe estava muito preocupada com sua situação financeira e esperava que os filhos a ajudassem. Porém, a indiferença e ingratidão que via neles a angustiavam. Isso a levou a pedir a uma praticista da Ciência Cristã que orasse por ela. A praticista explicou que os verdadeiros filhos expressavam o ser de Deus em amor, inocência, ternura, lealdade, etc. Disso a mãe depreendeu que, ao invés de aceitar a visão de seus filhos como os sentidos materiais a apresentavam, ela teria de vê-los como os filhos de Deus, puros e perfeitos. Eles eram idéias espirituais da Mente divina, filhos que nunca lhe causaram sofrimento.

Ao entender essas verdades, pensou: De fato, neste momento estou dando à luz, sem dor nem angústia, a um sentido novo, espiritual, de meus filhos. Estou repleta de gratidão por esta compreensão de filhos que me foi dada pelo Pai-Mãe, Deus. Depois disso, seus problemas se resolveram e ela sentiu-se feliz, transbordante de gratidão.

A realidade no que concerne à família é espiritual e a vemos com o discernimento que vem da Alma. Todas as idéias da Mente infinita formam a verdadeira família, governada, protegida, alimentada e vestida pelo único criador.

1 Gênesis 1:26.  2 Ciência e Saúde, p. 475.  3 Ibid., p. 582.  4 Ibid., p. 463.

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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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