“A reabilitação da humanidade começa em nosso próprio pensamento”

Da edição de novembro de 1991 dO Arauto da Ciência Cristã

 

Quem não precisa de mais luz? de maior clareza numa época em que se questionam tantos assuntos? Se nós mesmos estivermos em busca da luz, a experiência de outros que estão descobrindo que “nasce luz nas trevas”, conforme diz o Salmista, poderá servir de ajuda. Esta seção apresenta experiências que podem ser úteis àqueles que estão à procura de novas respostas. Os relatos são mantidos anônimos a fim de dar aos autores a oportunidade de falar livremente sobre estilos de vida e atitudes que talvez tenham sido consideravelmente diferentes dos valores que agora adotam. Tais relatos não têm a pretensão de contar uma história completa, mas mostram realmente um pouco da ampla variedade de pessoas que procuram a verdade e a maneira como a luz do Cristo, a Verdade, restaura, redireciona e regenera o modo de viver das pessoas.

Havia Várias Semanas eu estava na cadeia, em estado de depressão e desânimo. Estava esperando para ser transferido para um centro de recuperação de viciados em drogas. Meu encarceramento era o ápice de quase catorze anos de ações criminosas, todas ligadas ao uso de drogas. Durante esse período vivi em constante conflito com a lei.

Eu era casado e tinha quatro filhos com idades entre quatro e nove anos. Bem se pode imaginar o que minha mulher passou nesses catorze anos. Ela estava em vias de terminar com nosso casamento.

Na cadeia comecei a ler a Bíblia. Quando fui transferido para outra unidade, descobri que alguém havia deixado exemplares do Christian Science Sentinel e do The Christian Science Journal numa estante. Li todos eles. Tanto o que havia lido na Bíblia, como o que vinha pensando, foi complementado pelos artigos, que me abriram os olhos para uma série de questões sobre as quais tinha dúvidas. Comecei a assistir aos cultos da Ciência Cristã* na prisão. Também conversei com o capelão da Ciência Cristã sobre Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras [o livro-texto da Ciência Cristã de autoria de Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã].

O impacto que a Ciência Cristã teve sobre meu pensamento e sobre a maneira como eu me via, trouxe consigo uma mudança drástica. Houve notável transformação em meu comportamento e grande regeneração no caráter. Depois de ser solto, comecei a freqüentar os cultos na igreja.

Todavia, foi um ano muito difícil. Percebi que não havia aprendido o bastante para resistir à tentação, aquela força que é necessária para empreender uma mudança tão radical no caráter. Dentro de um ano estava novamente preso no centro de recuperação de viciados em drogas.

Mas desta vez sabia que precisava descobrir como praticar a Ciência Cristã no dia-a-dia. O capelão ajudou-me a conseguir isso.

A medida que estudava a Ciência, dei-me conta de que eu mesmo contribuíra, e muito, para a magnitude dos problemas em minha vida. Agora sentia realmente um desejo de contribuir para a solução. Quando finalmente minha pena terminou, eu estava progredindo com mais constância.

Minha mulher logo aceitou a Ciência Cristã. Ambos nos filiamos a uma igreja filial e À Igreja Mãe. Ela gostou muito da Ciência Cristã. As crianças passaram a freqüentar a Escola Dominical. Suponho que para elas a mudança tenha sido mais drástica do que para nós, pois antes disso as perspectivas para elas haviam sido tenebrosas.

Há mais de vinte anos estou livre do uso de drogas.

Comecei a participar ativamente da Comissão da Ciência Cristã junto a instituições penais em nosso estado. Talvez por gratidão. Não, creio que foi mais do que isso. Como durante todos aqueles anos eu vivera no crime, que é uma grande expressão do erro, agora queria realmente participar da influência sanadora.

Há um grande medo ao crime. As pessoas se sentem vulneráveis e esse medo parece ser dirigido em especial contra os indivíduos que entram e saem da prisão. Uma das coisas que aprendi no início do meu estudo da Ciência Cristã é que, como a Sra. Eddy diz em Ciência e Saúde: “Em todos os casos, a criminosa é a mente mortal, e não a matéria; e a lei humana julga o crime com acerto, e os tribunais, para serem justos, pronunciam a sentença de acordo com o móvel do crime.”

O esforço que eu estava fazendo em oração levou-me a reconhecer que não se pode lidar com o problema do crime simplesmente de um ponto de vista humano. Nunca se encontrará uma solução humana simplesmente construindo prisões ou instituindo programas de reabilitação. Enquanto pensarmos em termos de pessoas criminosas e cadeias, não teremos muito êxito em refrear a crescente criminalidade e evitar o desafio de encarcerar uma parcela significativa da população.

O problema consiste basicamente no conceito errado sobre quem é e o que é o homem. Esses problemas são imposições no pensamento, isto é, imposições sobre nosso pensamento. Quando as pessoas se envolvem em atividades criminosas, a motivação para cometer um crime advém dessa imposição, de um falso sentido do que é o homem, do que é a vida. Posso dar-lhes um exemplo de minha própria experiência.

Antes de conhecer a Ciência Cristã, eu era gerente de vendas de uma companhia. Naquela época, eu estava em liberdade condicional e havia quase um ano não tomava drogas. Estava indo bem no emprego.

Certa tarde, a secretária do escritório marcou uma visita para mim na casa de um cliente, para uma apresentação de nossos produtos. Lembro-me claramente de que, a caminho da entrevista, veio-me o pensamento de que eu conhecia alguém numa cidade próxima que possuía e vendia heroína. Mas em vez de compreender e reconhecer que a fonte de tal pensamento era a mente mortal, que Jesus chamava de “mentirosa” e “assassina”, comecei a pensar na proximidade do traficante.

Nunca cheguei à casa do cliente, embora tal tivesse sido minha intenção ao sair do escritório. Em vez disso, terminei indo à outra cidade. E em muito pouco tempo estava de volta às drogas e à prisão. Mas o verdadeiro criminoso, a verdadeira origem desse crime, foi aquele pensamento e a crença de que eu não sabia como enfrentar a sugestão mental.

Quando retiramos todos os disfarces, começamos a perceber que a fonte desse tipo de pensamento é o que a Sra. Eddy denomina sugestão mental agressiva, o suposto poder do mal de solapar o bem. Em minha experiência, não era apenas um pensamento fútil, passageiro. Era um pensamento que pressionava, agressivo e persistente. Acabou levando-me a perder aquele emprego, acarretando uma série de dificuldades para mim e minha família.

Mesmo quando um indivíduo crê que não está sujeito a esse tipo de sugestão criminosa, cada um de nós tem de estar preparado e disposto a livrar-se do senso errôneo de que existe o homem criminoso e substituí-lo pela compreensão prática do que significa o fato de ser Deus o Criador do homem.

Creio que seria melhor explicar o que é que o homem de Deus não é. Ele não é um mortal. Para mim, o homem é exatamente o que o primeiro capítulo do Gênesis diz que ele é: a imagem e semelhança de Deus. Gosto de começar pelo fato de que Deus é Princípio. Ele é o Criador. Se o homem é a imagem e semelhança de Deus, a única causa e o único Criador, então o homem não é um criador, mas é o reflexo de Deus. A relação entre Deus e o homem é a relação que existe entre causa e efeito, ou entre Pai e filho. É isso que Cristo Jesus nos mostrou em sua vida, de maneira prática e sem igual.

Esse conceito é muito útil para mim, pois elimina aquela impressão de que eu tenho de fazer pelo homem algo que ainda não tenha sido feito pelo Criador. Ajuda-me a perceber que a cura e a reforma são o resultado de reconhecermos a verdadeira existência espiritual como já é realmente. A cura é o efeito do reconhecimento de que a criação de Deus é perfeita.

Quando oro dessa maneira, dia a dia, compreendo, com maior clareza e profundidade, quem é e o que é o homem. E cada vez mais reconheço a mim mesmo como esse homem! Isso me dá uma perspectiva completamente diferente da idéia de cura.

Não creio que haja um meio de estabelecermos instituições humanas que nos garantam segurança duradoura e a eliminação da atividade criminosa, enquanto continuarmos a engolir a crença de que o homem é material e de que a existência é governada por leis materiais. Precisamos de uma compreensão melhor acerca da lei de Deus.

Creio que os programas de reabilitação desempenham uma função realmente importante. Mas a reabilitação da humanidade começa em cada um de nós, ao reabilitarmos nosso próprio pensamento, isto é, o que queremos aceitar como verdadeiro acerca de Deus, acerca de nós e de nosso próximo. Não progrediremos, se não tivermos a coragem de assumir a responsabilidade de compreender melhor o que significa dizer que o homem de Deus está livre de toda tendência criminosa. Precisamos começar curando primeiramente nosso próprio pensamento.

* Christian Science (kris’tiann sai’ennss)

– See more at: http://pt.herald.christianscience.com/portugues/edicoes/1991/11/041-11/a-reabilitacao-da-humanidade-comeca-em-nosso-proprio-pensamento#sthash.z9hcmkPh.dpuf

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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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