A oração que liberta o prisioneiro e também aquele que o aprisionou

Rosalie E. Dunbar

Da edição de março de 1995 dO Arauto da Ciência Cristã

 

Pela Primeira Vez em vinte e cinco anos, um número significativo de líderes e representantes do mundo todo participaram em junho do ano retrasado, em Viena, da Reunião Mundial sobre Direitos Humanos promovida pelas Nações Unidas. Embora tenha havido progresso nesse campo em muitos países, dados estatísticos das Nações Unidas indicam que pelo menos metade da população mundial ainda sofre algum tipo de violação de seus direitos básicos. Entre as violações mais graves encontram-se torturas, execuções, estupros, detenções arbitrárias, violência e “desaparecimentos”.

Para muita gente, essas e outras estatísticas apresentadas durante a reunião indicam que devem ser tomadas atitudes políticas firmes e enérgicas em relação ao assunto. Sem dúvida, essas providências fazem parte do esforço legítimo para que haja maior justiça no mundo. A oração pode apoiar esse trabalho, revelando onde existem as más condições que dão origem a esses abusos e ajudando a eliminá-las. De que forma? Conduzindo a humanidade a uma compreensão mais elevada sobre Deus e sobre o relacionamento do homem com Ele.

Quem expôs claramente esse relacionamento e o comprovou de forma vívida foi Cristo Jesus. Em sua vida e obras de cura ele provou que o homem é verdadeiramente a idéia espiritual de Deus, é inseparável de seu criador divino. Certamente a ressurreição do Mestre mostrou o poder de Deus para libertar a nós e aos nossos semelhantes, mesmo que nossos mais elevados ideais já estejam enterrados e toda a esperança pareça perdida.

Dessa forma, quando nos apoiamos em seu exemplo, temos o direito, uma obrigação até, de orar por aqueles que, em todo o mundo, estejam injustamente aprisionados ou encontrem-se sob qualquer outra forma de jugo. A Bíblia deixa bastante claro que a oração é uma força ativa em favor do bem. Em realidade, os discípulos de Jesus, que foram presos diversas vezes, costumavam orar durante essas experiências. Certo relato bíblico menciona também as orações dos cristãos por uma pessoa que estava presa.

Esse incidente aconteceu na época em que Herodes estava empenhado numa campanha contra a igreja. Ele mandou prender Pedro e o manteve sob vigilância. Lemos no livro de Atos: “Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.” 1 Finalmente apareceu “um anjo do Senhor”. Embora Pedro estivesse dormindo entre dois soldados e acorrentado, o anjo o conduziu à liberdade. Essa experiência mostra com toda a clareza o poder da oração para colocar em liberdade o prisioneiro!

Há alguns anos ouvi a palestra de um religioso que comprovou que as orações hoje em dia não perderam sua eficácia. Ele contou que havia sido preso em seu país por combater o que chamava de sistema injusto. Era de arrepiar ouvi-lo contar que fora procurado pela polícia a altas horas da noite e que haviam forjado provas contra ele. Porém, seus comentários sobre a oração serviram de estímulo ao meu pensamento.

Ele contou que, tão logo se viu na prisão, ficou isolado da família, de amigos, e de toda e qualquer ajuda visível. Volveu-se então naturalmente para a oração. Um dos pensamentos mais encorajadores que lhe ocorreu foi a certeza de que havia gente orando por ele. Como a igreja que representava tinha membros em todo o mundo, ele concluíra que, devido às diferenças de fusos horários, estavam sendo feitas orações por ele durante vinte e quatro horas por dia. A certeza de que seus irmãos e irmãs cristãos estavam com ele em espírito o manteve bem durante o período em que permaneceu encarcerado. Finalmente foi libertado, sem haver sofrido lesão.

Aquele religioso havia compreendido com muita clareza aquilo que dá ímpeto às nossas orações por justiça em todo o mundo. A oração não precisa de passagem aérea, de passaporte, nem de permissão especial para visitar um prisioneiro. Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã,* escreve no livrotexto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “O ‘cicio tranqüilo e suave’ pensamento científico estende-se sobre continentes e oceanos, até às extremidades mais remotas do globo. A voz inaudível da Verdade é para a mente humana como quando ‘ruge um leão’. É ouvida no deserto e nos lugares tenebrosos do medo.” 2

Essa voz da Verdade é o Cristo, a verdadeira idéia de Deus, que tem poder para fazer com que a humanidade se eleve, da condição de torturada ou de algoz, de vítima ou de instrumento na aplicação de uma sentença injusta. Isso ocorre quando nossas orações são dirigidas a situações específicas e declaram com firmeza a presença de Deus, mesmo nos “lugares tenebrosos do medo”.

Entre essas situações podemos citar desaparecimentos e detenções arbitrárias. Um Deus totalmente bom talvez pareça ausente nessas situações. Contudo, nossas orações precisam afirmar com convicção a realidade espiritual do ser, ou seja, que nenhum dos filhos de Deus jamais pode ser atirado à escuridão ou ser mantido fora da luz do Amor divino. Ao falar sobre a onipresença de Deus, o Salmista declarou: “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também. … Até a noite ao redor de mim se fará luz.”3 Aqueles que estão condenados a viver em circunstâncias infernais necessitam de nossas orações e de nossas afirmações fervorosas de que não estão sós. A certeza que Cristo Jesus tinha da presença constante de seu Pai era evidente, não apenas durante seu ministério, mas também quando ele saiu da escuridão do túmulo. A verdade da ressurreição é a prova de que nenhuma situação está fora do poder salvador de Deus.

Quando oramos, podemos sentir a tentação de tomar posição a favor de um dos lados. Entretanto, ao fazer isso estamos afirmando que o bem opera somente a favor do prisioneiro e que o Cristo não tem poder para redimir a sentinela ou quem ordenou a prisão. Podemos resistir a essa tentação, reconhecendo que existe apenas uma Mente, Deus, e que o homem é a idéia dessa Mente. Em verdade, não há nenhuma “mente maldosa que aprisiona” nem tampouco uma “mente sofredora que é aprisionada”. A Mente única reina com inteligência e vigor, com amor e bondade.

Não podemos determinar a maneira como essa Mente irá se manifestar no cenário humano. Mas podemos ter a expectativa de que seu poder redentor atingirá todos os envolvidos na situação. Nosso papel consiste em compreender a onipresença de Deus e o poder reformador do Amor imparcial. Essa maneira de pensar traz liberdade ao oprimido, ao mesmo tempo em que ajuda a redimir o opressor.

Amar a humanidade, a ponto de orar para que ela progrida e deixe a escuridão mental e física, exige bastante de nós. Pode também haver ocasiões em que a estrada para a liberdade pareça longa e perigosa. Mas, ao andar nessa senda, seremos guiados pela voz do Cristo, que nos fala de libertação e do amor de Deus pelo homem.

1 Atos 12:5.  * Christian Science (kris’tiann sai’ennss)  2 Ciência e Saúde, p. 559.  3 Salmos 139:8, 11 (conforme a versão King James).

– See more at: http://pt.herald.christianscience.com/portugues/edicoes/1995/3/045-03/a-oracao-que-liberta-o-prisioneiro-e-tambem-aquele-que-o-aprisionou#sthash.wqJgsI5x.dpuf

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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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