O CRISTO SANADOR ANTE A PERDA DE UM ENTE QUERIDO.

 


Professor Orlando Trentini,C.S.B.

O Cristo eterno está sempre presente. Sua presença inunda a mente humana com o fato espiritual imutável. A presença do Cristo na consciência humana traz cura.

A origem da presença do Cristo sanador é divina. É a realidade inalterável que está sempre presente que atua no humano invertendo o quadro material e trazendo cura para as situações aflitivas que envolvem os sentidos humanos em nossos relacionamentos com outras pessoas, da mesma família, colegas, ou de pessoas vivendo numa mesma região.

O resplendor do Cristo se expressa suavemente invadindo a consciência humana e fortalecendo os verdadeiros sentimentos presentes em nossas afeições. É como o despertar do dia quando o escuro da noite se vê inundado por uma tênue luminosidade que se vai tornando mais forte. A presença da luz vai mudando o quadro noturno de escuridão, devido a ausência da luz, e permitindo aos nossos sentidos humanos a começar a ver os primeiro contornos dos objetos maiores e depois os detalhes de cada coisa, inclusive as flores e ouvir os pássaros cantando ante um novo dia.

A ausência da luz durante a noite não afetou os objetos, não os tocou. Aos nossos sentidos humanos estes até desapareceram como se não existissem. E não ver os objetos, as pessoas, pode nos trazer uma sensação de perda, de dor pela ausência do ente querido. Sobrevem a angústia e o sofrimento trazidos pelo inconsciente coletivo negativo diante do quadro do silêncio, da paralisação das atividades pela morte. A separação física de alguém querido com quem convivemos muitos anos não é fácil. Ver o corpo que já não responde, que não se comunica mais, pois não tem mais consciência. Creio que todos já passamos por alguma situação desse tipo em que os sentidos humanos se sentem impotentes e todo o desespero, choro e sofrimento não conseguem alterar o quadro material. Parece que, para nós, se fez noite escura, uma ausência completa da luz, da esperança, da continuação da vida.

Ontem, ao abrir os meus e-mails me deparo com duas informações sobre o falecimento de duas pessoas queridas, uma no Brasil e outra na Itália. Hemisfério norte e sul e famílias e amigos em sofrimento e angústia diante de perdas irreparáveis.

Fisicamente estou impossibilitado de estar presente, devido a distancia em que resido. Mas meu pensamento estava instantaneamente presente ao ler cada um dos e-mails recebidos. E pude escrever, a cada família, uma mensagem de apoio, de amor, de estar presente em pensamento.
Mas mesmo em meio a este quadro agressivo e muito real aos nossos cinco sentidos a consciência-Cristo está presente e pode e vai permear e alterar por meio da luz divina a aparente realidade da noite. A luz desfaz a escuridão e penetra discreta, e de maneira firme, todos os ambientes, físico e mental, da vida humana. A presença espontânea da luz divina muda a situação ao nosso redor e em nossa mente humana.

Algumas horas mais tarde, os meus sentidos adormeceram, quando fui me deitar. Mas durante o sono percebi que estava orando reconhecendo a presença sanadora do Cristo eterno. Em minha consciência esta presença se traduziu em forma de paz, de motivação, de inspiração, um desejo de escrever estes preciosos sentimentos que o resplendor do Cristo na consciência humana traz a cada um de uma forma original e única. Vim até o computador e escrevi esta mensagem para você.

Senti como se a minha percepção da presença do Cristo se fazia sentir aos membros enlutados das famílias e que também elas podiam perceber, mentalmente, a face do Cristo sanador. Esta presença divina muda os nossos pensamentos, ela é subjetiva. A transformação começa no subjetivo e atua transformando a experiência humana externa a nós, a nossa observação objetiva.

A cura por meio da ação do Cristo impessoal e eterno é individual. E cada um tem o direito de sentir a presença do Cristo a iluminar sua consciência com novas esperanças, iniciativas, usando os talentos que Deus nos deu e que cada um de nós desenvolveu ou ainda pode desenvolver. Por vezes, a ausência repentina de alguém muito prendado nos obriga a crescer para ocupar o vazio criado pelo desaparecimento de alguém próximo. “A vida continua” é uma frase que se ouve nestas ocasiões nos lembrando que é preciso não parar no tempo, inerte, estagnado, mas é preciso recomeçar da melhor maneira que pudermos, seguindo em frente.

Um ponto muito importante é de não sentirmos pena de nós mesmos devido ao desaparecimento físico de nosso ente querido. Este sentimento de esperar ou até desejar continuar em sofrimento como uma maneira de reparar alguma ofensa ou situação que não foi perdoada ou corrigida em vida. Não continuar clamando ou chamando pelo nome a pessoa falecida pois não nos ajuda e nem devemos continuar numa estagnação mental e física. Isto não cura nada e apenas adia a chegada da luz – a vinda do Cristo sanador e restaurador à nossa consciência.

Partilho a minha própria experiência quando passei por uma situação semelhante ante a perda repentina de meu pai. Havia conversado, por telefone, com ele e cerca de dez horas mais tarde recebo outro telefonema de que ele havia falecido repentinamente momentos antes de iniciar sua viagem de regresso da Europa pra o Brasil. Inicialmente fui assaltado pelos pensamentos: não vou mais poder falar com ele, ouvir suas histórias de pioneiro e desbravador no sul do Brasil, de ir pescar com ele, de ouvir o relato de seus testemunhos de cura obtidos pelo estudo da Ciência Cristã, etc. E ao pensar sobre isto eu fui ficando triste e não pude conter lágrimas. Mas como eu tinha de telefonar para minha mãe para comunicar o ocorrido tive de recuperar a minha compostura mental e emocional. Ao buscar esta força interior para ajudar a minha mãe senti o toque do Cristo sanador. Veio em forma de uma pergunta? Por quê você está triste? E comecei a enumerar a lista de coisas que “EU” queria fazer e achava que não poderia mais fazer pois eu não poderia mais dialogar com meu pai. Percebi que tudo girava em torno do meu EU. Eu não posso mais… Era mero egoísmo meu que me mantinha triste e em sofrimento ante a torrente de informações negativas que o inconsciente coletivo, quando há um caso de morte, me estava enviando.

Em presença do resplendor do Cristo sanador em minha consciência, mudei a tática. Pensei: Seus conselhos, suas instruções, seus ensinamentos, seu exemplo, sua firmeza na aplicação das verdades científicas da Ciência Cristã, tudo isto estava comigo. Eu deveria me considerar feliz por ter toda esta bagagem de experiências que ele passara para mim, e agora libertá-lo do meu desejo egoísta de querer ainda tê-lo comigo. Eu precisava me libertar de sentir pena de mim mesmo. Libertar-me de querer saber como estava e onde estava. Libertar-me e deixá-lo seguir em seu progresso espiritual. Declarei que ele estava bem e seu progresso era firme e constante, e estava livre de continuar a se preocupar com situações terrestres.

A luz sanadora do Cristo impessoal iluminou minha consciência e pude encontrar a minha cura de angústia e sofrimento, a qual foi instantânea. Poucos minutos após pude telefonar para a minha mãe para transmitir-lhe a triste notícia. Mas ela já sabia. Enquanto eu lutava com os meus sentidos pela perda de meu pai, eu havia telefonado para o meu irmão que morava perto de minha mãe, no sul do Brasil, enquanto eu morava nos Estados Unidos. Meu irmão ao chegar, antes das 6 horas da manhã, minha mãe ao vê-lo desconfiou e lhe perguntou se papai havia falecido.

Os dois para vencer este sentimento de perda buscaram a Biblia e Ciência e Saúde e leram em voz alta a Lição Bíblica da semana. Oraram juntos. E duas horas mais tarde, minha mãe disse para o meu irmão: Já dei o meu consentimento de sofrer pelo falecimento do pai, e, não posso continuar nessa atmosfera mental de viúves. Agora, tenho que me preparar para ser uma praticista da Ciência Cristã pois daqui a alguns minutos virá um paciente, que está vindo de trem da fronteira com a Argentina. Está vindo em busca de cura para o seu filho que está desenganado com um problema físico. Este pai está viajando muitas horas por terra, para buscar a ajuda para o seu filho doente. Eu tenho que estar livre de sofrimento e estar imbuída da consciência-Cristo para poder refletir a Verdade que liberta.

Alguns meses depois conversando com ela sobre esta experiência ela pode me confirmar que o paciente havia chegado em casa e encontrara o filho completamente restaurado.

A presença sanadora do Cristo é sensacional. Não leva tempo para atuar. O humano começa a ver, sentir, se mexer, tomar decisões e re-assumir o uso de seus talentos de criatividade, iniciativa, de mobilidade, industriosidade, que realmente sempre estão à nossa plena disposição, pois nos foram outorgados por Deus. É assim que vemos a face de Cristo e sua mensagem sanadora atuando em nós e através de cada um de nós.

Chácara, MG 13 de novembro de 2009.

 

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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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