Casamento “arranjado”

 

Christine Driessen

Sem qualquer dúvida, já havia constatado o poder da oração na Ciência Cristã para nos confortar e curar a doença e a dor, quando era criança. Contudo, como jovem adulta, quando se tratava de relacionamentos, tais como: namoro, sensualidade, sexo, casamento, sentia-me como se estivesse sozinha em outro planeta.

Eu achava que não podia falar sobre esses assuntos com Deus. Ele simplesmente diria: “Devia ter vergonha de pensar nessas coisas; apenas finja que não se sente assim”! De algum modo, estava convencida de que, quando tivesse de lidar com atração humana e amor, teria uma grande decisão a tomar, isto é, uma escolha a fazer entre Deus e o homem.

Contudo, o desejo de compartilhar meu amor com alguém de forma profunda e dedicada parecia correto. Os sentimentos de forte atração que sentia em várias ocasiões por determinados rapazes pareciam muito naturais. Mas, como saber qual deles era o certo e se ele sentiria o mesmo que eu? Havia também a questão da intimidade física. Qual a ocasião certa para isso ocorrer? Qual o papel que isso teria no relacionamento? Saberia controlar a situação, caso começasse a ceder à atração? Não conseguia obter respostas.

Algo me dizia que, embora ele fosse maravilhoso, não era o relacionamento certo para nós
Durante anos lutei para “ser boa” (em outras palavras, fazer o que achava fosse moralmente correto) e ainda assim me adaptar ao contexto e me divertir. Contudo, nem sempre estava segura de como fazê-lo. Durante o ensino médio e a faculdade, estava muito convicta de que o sexo deveria ficar reservado para o casamento. Mesmo assim, não tinha certeza que tipo de afeto era adequado durante o relacionamento no namoro ou sequer como o amor entre um homem e uma mulher deveria ser.

Depois da faculdade, casei com um homem maravilhoso e talentoso, com quem havia namorado durante alguns anos. Antes do nosso casamento, algo me dizia que, embora ele fosse maravilhoso, o relacionamento não daria certo. Na ocasião, não compreendi bem isso, mas aquele “algo” é o que hoje eu chamo de “cicio tranqüilo e suave do Amor divino”, uma mensagem de orientação divina do Cristo, que fala constantemente a todos nós. Entretanto, nesse caso, eu cedi à insistência dos outros de seguir em frente com o casamento. Logo depois, o casamento acabou de repente.

O divórcio me fez sentir como se eu fosse um fracasso. Havia tentado com todo empenho fazer o que entendia como certo, mas ainda resistia a me volver totalmente a Deus para guiar minhas decisões.

A atração da sensualidade parecia tão forte, que me deixava quase que hipnotizada
Continuei saindo com rapazes, mas os conceitos sobre o amor e a sensualidade ainda eram confusos para mim. Como era uma mulher jovem, passei por um período em que comecei a dar ouvido a todas as conversas sensuais ao meu redor. Além disso, a atração da sensualidade parecia tão forte, que me deixava quase que hipnotizada, como se eu estivesse perdendo a capacidade de controlar meus pensamentos e ações. Para piorar, o prazer decorrente disso parecia sempre muito vazio e passageiro.

Por um lado, ainda achava que era importante deixar o sexo para o casamento, em parte porque ceder a ele tornaria muito mais difícil resistir às tentações de ser infiel. Contudo, de acordo com as conversas com amigos e algumas leituras, também achava que os homens eram basicamente governados pela sensualidade e que as mulheres necessitavam aderir a esse comportamento, a fim de atrair e conservar alguém. Era difícil conciliar esses dois pontos de vista.

Parecia que a sugestão constante era: “ouça o seu corpo; deixe-o guiar você”. Mas isso não combinava com o que aprendia sobre espiritualidade. Já havia descoberto nos esportes e no balé que conseguia expressar mais força e beleza, quando afastava o pensamento do corpo, de uma base material de saúde e inteireza e orava para compreender a natureza espiritual da saúde, da força e da beleza.

Bem no fundo, sabia que somente o amor fundamentado sobre uma base espiritual poderia manter um casal unido
Uma passagem de Ciência e Saúde me ajudou bastante a compreender o que torna a verdadeira espiritualidade tão atrativa: “O Amor, redolente de altruísmo, inunda tudo de beleza e de luz” (p. 516). Qualidades espirituais como pureza, generosidade, compaixão e integridade, não apenas nos proporcionam vigor e beleza, como também são duradouras e satisfazem de um modo que a sensualidade não consegue.

Comecei a perceber que construir um relacionamento ou casamento, com base na sensualidade e em uma visão material sobre nós mesmos, ainda que acompanhado de amor e amizade, mina nossos esforços de encontrar um amor que seja puro, dedicado, duradouro e fiel. A sensualidade se apóia na gratificação do nosso próprio sentido físico de prazer. Ademais, se a idade, um acidente ou doença tentar interferir na intimidade do casal, a sensualidade não tem força para manter o relacionamento. Bem no fundo, eu sabia que só o amor alicerçado em uma base espiritual poderia realmente manter um casal unido.

Compreendi que a mesma confiança que eu encontrava na minha imunidade, outorgada por Deus, contra ferimentos e dor, bem como minha habilidade em expressar saúde e vigor nos esportes e na dança, era a mesma confiança que buscava nos relacionamentos. Qualidades espirituais e uma compreensão da verdadeira natureza espiritual do homem, como imagem e semelhança de Deus, eram o que constituía o fundamento do verdadeiro amor.

Então, como colocar isso em prática?

Uma decisão unilateral contra a intimidade física no casamento é tão egoísta quanto a sensualidade
Durante algum tempo, achava que a espiritualidade no relacionamento devia significar a rejeição de qualquer aproximação física no casamento. Não foi senão após o segundo divórcio, que aprendi como era importante o respeito, o carinho e a confiança nos relacionamentos íntimos, e que o fato de um marido ou uma esposa tomar uma decisão unilateral sobre esse assunto no casamento, é tão egoísta quanto a sensualidade. Em Ciência e Saúde, Mary Baker Eddy dedicou um capítulo inteiro ao tema matrimônio, o qual explica como as “…palavras carinhosas e a solicitude generosa…” (p. 59) promovem a felicidade.

Meu ex-marido e eu permanecemos bons amigos, mas eu era agora uma mãe divorciada, a qual ansiava por um casamento feliz. Passaram-se os anos e descobri que tentava delinear e controlar o rumo de meus relacionamentos. Contudo, sabia, bem lá no íntimo, que a autocentralização, a manipulação e o controle voluntarioso não promovem a ternura e a atração, mas na verdade as extinguem.

Em meio a esse conflito, minha filha e eu fomos passar as férias na Índia. Hospedamo-nos com amigos em várias cidades. Alguns desses amigos nos contaram que eles preferiam os “casamentos arranjados” da cultura deles, em vez do tipo de namoro que haviam visto nos Estados Unidos, com alto índice de divórcio e a pressão de se fazer sexo fora do casamento.

O Amor é capaz de unir as idéias certas, de modo que abençoe a cada uma delas
Um casal explicou que as famílias indianas são muito unidas e que os pais geralmente conhecem as qualidades e os valores espirituais que seus filhos devem procurar em um parceiro para a vida toda. Depois que os pais fazem as escolhas para seus filhos, o casal tem a oportunidade de decidir se um se sente atraído pelo outro. Mas não existe nenhum tipo de intimidade física entre eles, até o casamento. Disseram saber que, a fim de o casamento dar certo, eles precisavam desenvolver o amor e o respeito um pelo outro, expressando paciência, ternura, generosidade, honestidade e fidelidade. Sabiam que o casal precisava comprometer-se cem por cento para que o casamento durasse.

Durante o vôo de volta para casa, minha filha e eu comentamos como aqueles arranjos matrimoniais pareciam mais fáceis do que o tipo de namoro que tínhamos em nosso país. Entretanto, nenhuma de nós gostou da idéia de ter nossas mães “arranjando nossos casamentos”!

Então, ocorreu-me que era isso exatamente o que estivera procurando. Desejava que meu Pai-Mãe Deus, o Amor divino, arranjasse todos os aspectos da minha vida, inclusive o casamento. Esse Pai-Mãe Amor conhece cada um de nós intimamente; nossos talentos, interesses e individualidade; conhece nosso propósito divino e quem melhor complementará esse propósito. Uma vez que Deus é o próprio Amor, a fonte do bem infinito e a Mente divina, a fonte de toda a inteligência, então o Amor tem de ser capaz de unir as idéias certas, de modo que cada uma delas seja abençoada.

Fiquei tão satisfeita com o que aprendia sobre meu relacionamento com Deus, que me desprendi de qualquer desejo de me casar novamente
Precisava deixar de lado a opinião material sobre o amor e compreender melhor o Amor divino, que é a fonte da verdadeira masculinidade e feminilidade. Em vez de me preocupar sobre quem seria a pessoa certa ou se eu me casaria novamente, meu enfoque se concentrou nas qualidades espirituais do Amor que capacitaram Cristo Jesus a curar e que são encontradas na Bíblia, no Sermão do Monte. Desejava ser leal à minha natureza espiritual como reflexo do Amor divino. Para isso, eu precisava ouvir constantemente a Deus para que Ele dirigisse cada pensamento, palavra e ação ao:

1- purificar meu amor pelos outros e reconhecer que qualidades como ternura, generosidade, bondade e fidelidade são naturais a cada um de nós, como criação de Deus;

2- vigiar meu pensamento para me certificar de que expressava fielmente essas qualidades, em todos os meus relacionamentos;

3- compreender que o Amor divino supria todas as minhas necessidades a cada momento, ao invés de acreditar que eu fosse dependente de outra pessoa ou de uma sensação física de amor para trazer satisfação e realização. Eu já era completa e satisfeita.

Tenho de admitir que levou algum tempo para que eu aprendesse a ceder e confiar no constante cuidado de Deus. Contudo, quando consegui, comecei a encontrar um senso profundo, de paz e inteireza, à medida que descobria mais sobre meu relacionamento profundo, terno e indestrutível com Deus. Comecei a perceber como essa relação era importante. De fato, sentia-me tão satisfeita com o que aprendia sobre meu relacionamento com Deus, que me desapeguei de qualquer desejo de me casar novamente.

Não coloquei Deus de lado, ao contrário, continuei a afirmar que Ele executava o plano dEle, não o meu
Foi então que aconteceu!

Quando encontrei o homem com quem estou casada agora, foi diferente de todas as outras experiências que tivera. Mesmo antes de ser apresentada a ele, tive este pensamento: “Este é um homem muito bom”. Sentia-me totalmente em paz com ele, como se sempre o tivesse conhecido.

Contudo, disse a Deus que ainda não estava pronta para começar a namorar de novo. Portanto, se Ele pretendesse que nós ficássemos juntos, Ele teria de tomar conta de todos os detalhes. Deus me assegurou que esse já era o Seu plano!

Isso ocorreu alguns meses antes do início do namoro, mas nós dois orávamos para ouvir a vontade de Deus e segui-la. Desta vez, ao começar a namorar, não coloquei Deus de lado, ao contrário, continuei a afirmar que Ele executava o plano dEle, não o meu.

Desde nosso primeiro encontro, nos demos muito bem. Descobrimos que tínhamos várias coisas em comum, as quais adorávamos fazer juntos. Mas, em primeiro lugar, ambos desejávamos ser sanadores para o mundo.

Depois de seis anos de casados, a ternura e a alegria continuam presentes
Embora sentíssemos uma atração natural um pelo outro, decidimos que a intimidade sexual seria reservada ao compromisso matrimonial. Oramos para fundamentar espiritualmente esse relacionamento, que incluía amizade, parceria, ternura, respeito e, sobretudo, o amor a Deus e o desejo de servi-Lo de todas as maneiras.

Três meses mais tarde, nos casamos. Hoje, seis anos depois, a ternura e a alegria continuam presentes. Contudo, algo muito mais profundo emerge do nosso amor. Aprendi que o casamento sempre tem seus desafios e que não se trata de buscar um ser humano perfeito. Todos nós temos coisas que precisamos melhorar. Ao contrário, tudo depende do meu pensamento e de como vejo as outras pessoas. As expectativas e as qualidades espirituais que trago para o relacionamento me capacitam a ver o amor consumado.

O que mais me satisfaz no nosso casamento, não é o que as revistas de fofocas sugerem. É o fundamento espiritual que edificamos e o amor espiritual que compartilhamos. Quando faço algo realmente impensado ou rude, ou, de alguma maneira não correspondo às expectativas, meu marido recebe isso não com crítica ou impaciência, mas, ao contrário, com oração, ao me ver como uma idéia espiritual de Deus agora mesmo. Então penso: “Uau! Como isso é bom”! Esse é o verdadeiro significado de amor.

Toda essa jornada comprovou a importância de colocar Deus no centro da minha vida e de cada escolha que faço. Ele já tem todos os detalhes planejados. Esse é o relacionamento perfeito!

Christine Driessen é Praticista, Conferencista e Professora de Ciência Cristã em Long Island City, Nova Iorque, EUA.

 Fonte: O Arauto da Ciência Cristã

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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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