Alimentados pelo Teu amor

Crédito: Cortesia de Fujiko Signs

Fujiko Signs

Quando Jesus disse aos seus discípulos: “…não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber” ou vestir (Mateus 6:25), ele não estava promovendo a frugalidade, nem esperava que outros trabalhassem a fim de que suprissem os discípulos do que necessitavam. Jesus recomendou a seus seguidores que primeiro buscassem “o reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33) e, naturalmente, suas necessidades diárias seriam supridas. Ele não explicou de que maneira, mas sabia que elas seriam providas.

Por que Jesus tinha tanta certeza disso? O que “…não vos inquieteis com o dia de amanhã…” (Mateus 6:34) tem a ver com tornar-se um sanador como ele esperava que seus seguidores se tornassem?

Aquilo que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos. Por exemplo, ele pediu aos discípulos para não levarem sandálias e agasalhos a mais, quando os enviou a curar. Por conseguinte, ele e seus discípulos foram alimentados com o que restou após uma colheita; também encontraram locais para se abrigarem, oferecidos por pessoas que reconheciam a riqueza espiritual que Jesus vivia. O que possuía ele, para que os outros fossem impelidos a dar dessa maneira? Ele tinha o tesouro de todos os tesouros, a verdade que comprovava o direito inato, o valor e a liberdade do homem como filho de Deus.

Quer fosse uma casa onde pudessem preparar a Páscoa ou um peixe com uma moeda na boca, o que Jesus necessitava não saía do seu bolso, mas de sua compreensão sobre sua origem espiritual. Jesus sabia que jamais poderia estar separado de seu Pai, o Princípio divino e fonte de recursos infinitos. Ele declarou repetidas vezes que ele e seu Pai eram um (ver João 10:30) e incentivava a compreensão desta unidade: “…estou no Pai e o Pai em mim…” (João 14:11).

O que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para nós recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos

Jesus dizia, em essência, que aquilo que seu Pai possuía, ele, igualmente, possuía também. O Pai cria infinitas ideias, que se manifestam para nós como alimento, dinheiro, amizade e oportunidades. Jesus via isso como uma lei espiritual irreversível, que o capacitava a vivenciar o reino de seu Pai-Mãe Deus. Tenho tido muitas provas dessa lei espiritual em ação em minha vida. Há alguns anos, comecei a trabalhar tão logo meu marido voltou à universidade, no mesmo ano em que nossa primeira filha nasceu. Durante minha gravidez, recebia ajuda financeira de um programa de subsídio do governo americano, o qual tinha o objetivo de garantir boa nutrição para mulheres grávidas. Fiquei chocada ao saber que fora qualificada para esse programa, uma vez que nunca havia me ocorrido que eu necessitaria de tal ajuda. Era orgulhosa demais para contar isso à minha família no Japão.

Com o passar do tempo, descobri que o curso do meu marido não terminaria em quatro ou cinco anos, mas que se estenderia por oito, nove ou dez anos, enquanto ele também trabalhava meio período. (A família dele chamava a universidade de “a escola ‘gradual’ do Mark”).

Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos usar, a cada mês, cada centavo do que tínhamos

Na época em que tive minha segunda filha, nós já havíamos mudado três vezes do Colorado para o Texas, de lá para a Luisiana e, finalmente, para a Pensilvânia, sempre para onde houvesse um programa de ajuda financeira disponível. Era um grande desafio, tanto emocional quanto financeiramente. De alguma maneira, conseguíamos administrar da melhor forma possível aquilo que, na melhor das hipóteses, poderia ser chamado de orçamento de baixa renda.

Na ocasião em que as crianças entraram para o ensino fundamental, muitos pais já haviam começado a economizar para que os filhos pudessem cursar uma faculdade. Eu nem sequer podia considerar tal coisa. Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos, a cada mês, usar cada centavo do que tínhamos. Já havíamos cortado muitas coisas, tais como: TV a cabo, lanchinhos, salgadinhos e refrigerantes. Tínhamos só o essencial. Quando quis dar às minhas filhas a oportunidade de frequentar a Escola Japonesa aos sábados, para ter aulas de música e dança, consegui pagar a mensalidade desses cursos, ajudando a professora ou trabalhando eu mesma como instrutora.

O pai continuava dizendo a elas que poderiam ir para a faculdade assim que conseguissem bolsas de estudo. Ele falava isso um pouco como brincadeira, mas acho que as meninas levaram essas palavras muito a sério.

Às vezes, ficava ressentida e zangada porque não via nenhuma saída dessa dificuldade financeira causada pelo compromisso acadêmico do meu marido. Achava isso muito injusto, ficava mentalmente desesperada e, até mesmo, sentia-me doente fisicamente.

As ideias contidas no livro Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida

Entretanto, nessa ocasião, encontrei a Ciência Cristã. As ideias contidas em Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida. Esse era um exercício completamente diferente, totalmente libertador.

Descobri que a Sra. Eddy havia lutado financeiramente em sua vida conjugal e, especialmente, quando começou a escrever Ciência e Saúde. O que mais me impressionou foram sua convicção e coragem inabaláveis, de compartilhar sua descoberta da Ciência Cristã com o mundo. Ela acreditava que a Ciência do Cristo, sobre a qual se fundamentava a obra de cura de Jesus, estava disponível a todos e era a forma mais consistente e confiável de fazer a humanidade progredir. Por meio de sua oração e dos passos que ela deu em sua missão contínua, adquiriu melhor saúde, um suprimento maior e realizações sem precedentes em uma época em que pouquíssimos direitos eram concedidos às mulheres na sociedade.

Quando resolvi me tornar Praticista da Ciência Cristã em tempo integral, além de minhas obrigações como mãe, eu tinha pelo menos quatro diferentes empregos de meio período. Certa manhã, quando orava com o “Pai Nosso”, esta frase saltou aos meus olhos: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6:11). Em outras palavras, peça somente pelo suprimento do dia, não pelo de amanhã, da próxima semana ou para nossa aposentadoria. Vislumbrei que uma implicação mais profunda dessa frase estava fundamentada na compreensão de Jesus sobre a própria realidade na qual vivemos, a de que somos 100 por cento espirituais, com todas as necessidades já supridas.

Quando comecei a compreender mais profundamente minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, passei a ver recursos vindos de formas variadas e tangíveis

Sobre aquela frase do “Pai Nosso”, Eddy nos deu sua interpretação espiritual: “Dá-nos graça para hoje; alimenta as afeições famintas” (Ciência e Saúde, p. 17). Isso me mostrou que o amor é a chave do verdadeiro suprimento. Comecei a ver Deus como Amor e como a ajuda, a inteligência e o provedor verdadeiros. Pude expressar também mais essa qualidade de amor em minha vida. Quando comecei a compreender de maneira mais profunda, minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, recursos vieram de formas variadas e tangíveis. Por exemplo, veio sob a forma de pagamento pela oração e cura para as pessoas que me ligavam pedindo ajuda. Veio na forma de um inesperado contrato de trabalho para meu marido. Veio também sob a forma de moradia.

Para mim, foi um processo gradual e natural com relação a ficar disponível para o trabalho de cura pela Ciência Cristã em tempo integral, comprometida 24 horas por dia, 7 dias por semana, e não dividindo meu tempo com outras ocupações. Surgiu, então, uma oportunidade de trabalho para fazer traduções para a Sociedade Editora da Ciência Cristã. Um a um, fui deixando os vários empregos de meio período que tinha. Valorizei imensamente meu trabalho como Praticista da Ciência Cristã. Era tão especial e gratificante! A transição foi suave e natural, nada drástica, e foi o resultado de uma mudança gradual em meu pensamento.

Com relação à faculdade, nossas duas filhas receberam bolsas de estudo, que cobriram a maior parte dos custos com a educação delas. Além disso, devido à nossa reduzida poupança, fomos qualificados para ajuda financeira. O suprimento que minha família necessitava começou a surgir em grande quantidade, à medida que meu amor pela Ciência Cristã e minha compreensão de Deus se aprofundavam. O que tínhamos, utilizávamos com cuidado, e partilhávamos com aqueles que tinham menos. Fomos abençoados com dois hóspedes de outro país que moraram conosco quando necessitaram de um lar. Quanto mais administrávamos nossas finanças em termos de “sabedoria, economia e amor fraternal” (ver Manual dA Igreja, p. 77), mais confiantes ficávamos para receber o suprimento, diariamente e a cada hora.

A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade

Depois que fiz o Curso Normal para me tornar Professora de Ciência Cristã, não tinha nenhuma ideia a respeito do local onde eu iria ministrar meu primeiro curso sobre a Ciência Cristã, chamado Curso Primário, com 12 dias de duração. Mas eu estava tão disposta a crescer espiritualmente, a fim de servir à Causa da Ciência Cristã, que confiei plenamente na promessa bíblica: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).

A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade. Volvi-me a esse Pai em oração e me tornei mais consciente de Sua natureza como infinita, todo amorosa e fundamentada em princípios espirituais. No suprimento dessa Fonte infinita não há nenhum excesso ou carência, mas apenas o suprimento satisfatório no devido tempo.

Essas orações foram atendidas. Logo, um apartamento ficou disponível para minha filha e mim, quando precisávamos ir a Tóquio para ajudar meus pais. Finalmente, foi-me concedido aquele espaço para que eu pudesse lecionar o Curso Primário. Sempre como um resultado da minha disposição de servir, era-me concedido aquilo de que necessitava.

Não estava mais ressentida com a “universidade gradual”, nosso estilo de vida migratório ou pelo fato de não possuir uma casa própria. O lar, para mim, é aquilo que estou fazendo, não um lugar ou uma estrutura. Quando passei a verdadeiramente valorizar essa ideia, tudo quanto necessito tem se tornado visível de maneiras que têm abençoado nossa família e nossos vizinhos, uma comunidade muito maior do que jamais imaginara!

Sou abençoada à medida que dedico minha vida a ajudar outros mediante a oração e a amar a Deus de todo o meu coração e de toda a minha alma. Quão verdadeiras são estas palavras do Apóstolo Paulo: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8).

Fujiko é Praticista, Conferencista e Professora de Ciência Cristã, e divide seu tempo entre Pleasant Gap, Pensilvânia, EUA, e Tóquio, Japão, onde leciona.

Acesso em 31/03/2013
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Sobre Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS

A Primeira Igreja de Cristo, Cientista Porto Alegre-RS, Brasil, foi fundada em 1957. Tendo sido iniciada décadas antes como um Grupo Informal e mais tarde, uma Sociedade de Ciência Cristã. Ela foi fundada por famílias de alemães, dentre as quais: Schmidt, Holderbaum, Trentini, Bopp, Mutzberg, Young, Klein, Hamman, Knor, Bier, Beier, Wendt, Völker, Fhurmeister, Heckrath, etc... Conheça mais sobre a historicidade no Arquivo Histórico Digital da Ciência Cristã no Brasil: http://sites.google.com/site/arquivocienciacrista/
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